9 de outubro de 2014

Policial ninja

video

Antes de ser atropelado e voar por cima de carro, PM ainda conseguiu atirar em criminosos

Bala atingiu radiador do veículo que parou logo depois, dois homens foram presos

Atropelamento, tiro e escoriações marcaram o dia mais importante dos quatro anos dedicados à Polícia Militar pelo soldado Felipe Costa e Silva. Alçado à fama repentina após a divulgação do vídeo que registra seu atropelamento por criminosos em um carro roubado, o agente contou ao G1 que ter escapado sem ferimentos foi motivo de alívio. "Me senti renovado quando entendi que havia sobrevivido", disse o soldado.

Atingido, na última quinta-feira (2), por um Mini Cooper em velocidade crescente após o reconhecimento de sua farda pelos bandidos, ele voou por cima do veículo, foi atirado ao solo e saiu da experiência apenas com escoriações no braço e na perna esquerdos.

Aos 25 anos, o agente que comemora 4 anos de serviço no próximo dia 18 fez na ocasião seu primeiro disparo com arma de fogo em serviço. Antes disso, a experiência com o revólver havia se restringido às aulas na academia.

Antes do golpe, Costa e Silva conseguiu efetuar um disparo certeiro no radiador do automóvel roubado, o que limitou a distância percorrida pelos dois ladrões, que foram presos.

“Não tive medo nenhum. Somos treinados para, em uma situação de risco e de pouco tempo de resposta, agir da forma correta”, simplifica. “Fiz o que tinha que ter sido feito.”

Nascido em Tatuí, na Região Metropolitana de Sorocaba, ele iniciou ali sua carreira como servidor público e aos 19 já era agente de trânsito. A atuação em conjunto com o Corpo de Bombeiros o inspirou, e logo entrou para a escola. Dali, migrou para o policiamento, e está lotado desde sua formação na 3ª Companhia do 3º Batalhão, na Vila Gumercindo, Zona Sul de São Paulo.  “Trabalho na Base Comunitária, onde existe um contato maior com a população. É o que eu gosto de fazer.”

Sua primeira ocorrência como policial foi um flagrante a roubo de veículo na mesma região, onde também mora, com direito à prisão do ladrão. Quando era adolescente, ainda em Tatuí, foi roubado duas vezes por grupos de arruaceiros: na primeira, levaram sua bicicleta; na segunda, seu boné. “Agora acho que eu voltei a ser a vítima, né?”, diz, em tom de brincadeira.


FONTES: G1 e R7

1 de outubro de 2014

Entre rondas e tapetes de crochê

Na madrugada, a cena curiosa de vigia que faz crochê em cadeira de retalhos

Aline Araújo
Ana cuida cada ponto e desmancha se erra, quer que seu trabalho seja perfeito

Ana Belmira, de 46 anos, tem uma rotina bem diferente. Ela acorda às 16h30, almoça às 17h30 e vai para o trabalho. É vigilante em um cruzamento de bairro nobre de Campo Grande e enquanto cuida da segurança da área comercial, faz tapetes de crochê que ajudam na renda.

A cena é curiosa e chama atenção de quem passa por ali. “Faço quase uma peça por noite, mas tenho que fazer e ficar de olho para nenhum pilantra me surpreender”, explica, sentada em uma cadeira toda forrada de retalhos, mas com o uniforme de trabalho e um rádio comunicador ao lado.

O posto de vigia só veio há dois meses, depois de uma insistência de dez anos. É que o marido, Roberto Carlos, trabalha na quadra de cima e apesar do perigo, ela sempre pediu para acompanhá-lo na empreitada noturna. “Ele tinha um menino que trabalhava com ele e saiu. Eu sempre quis vir porque a gente sempre foi muito unido e eu ficava a noite inteira em casa fazendo crochê e ligando para ele preocupada, agora eu tô perto”, explica.

Nesse tempo, ela passou por poucas e boas por ali. Ana já foi agredida por um senhor que achou que ela estava vigiando ele ao se comunicar com o marido pelo rádio e diz que também já evitou furtos em algumas lojas.
“Eu sei que é perigoso, aqui é um lugar onde passa muito drogado e tem pilantra que tenta mesmo roubar as coisas, mas o meu marido sempre liga para saber como eu estou, a gente se ajuda e eu tô melhor aqui que em casa sozinha”, garante.
Todo mês ela compra uma revista para aprender novos modelos. 
Durante a noite, também já enfrentou o preconceito velado. “Eu nem gosto de olhar muito, mas tem gente que olha como se a gente posse um bicho só por ser mulher”, comenta. Mesmo assim, essa diferença já trouxe alegrias. “Uma vez, uma delegada parou, me chamou e pediu para me dar um abraço, disse que trabalhava com muita mulher na policia, mas eu era a primeira vigilante que ela conhecia. Me abraçou e cumprimentou pelo trabalho”, lembra.

Na primeira impressão de quem vê de longe, Ana parece o tipo de mulher durona e brava, que não está muito disposta à conversa. Mas basta um "oi" para descobrir uma pessoa doce. Aos 46 anos, ela já carrega algumas marcas da vida que teve que aprender a lidar.

Aos 15, teve de enfrentar um casamento arranjado pela mãe. Sofreu com o alcoolismo e a agressividade do primeiro marido e da relação ficou a filha mais velha. Ela deu um basta na situação e em 1988 conheceu o atual marido, o amor e a felicidade de ter um companheiro ao lado.

Com o nascimento do filho caçula, em 1990 veio a depressão pós-parto. A doença piorou com o falecimento do pai em 1995. Mas Ana superou o desafio de aprender a conviver com a doença que tirava as noites de sono e o sossego do dia a dia. Ela demorou para identificar que precisava de ajuda, mas conseguiu o tratamento.

O alivio mesmo veio com o nascimento do primeiro neto em 2004. “Quando ele chegou que eu melhorei de vez, encontrei um sentido na vida” relata. O segundo neto veio um ano depois para selar a alegria de Ana.

Crochê 
A vontade de fazer crochê só surgiu na vida adulta, apesar de quando criança a mãe ter contratado uma professora para ensinar a arte. Em vez de aprender, ela queria pescar e matou muita aula por isso.

Depois de adulta, começou a ver graça e hoje pede para o filho ajudar a tirar os moldes da internet, além de comprar uma revista nova por mês para aprender a fazer a novidade. “Eu gosto de fazer as coisas mais difíceis, que são as mais bonitas”.

Com o dinheiro recebido pelos jogos de banheiro e tapetes que faz, Ana consegue entre outras coisas contratar uma diarista para ajudar uma vez por semana com os afazeres em casa. Assim, no domingo, que é o único dia de folga, ela pode curtir os netos com o marido e fazer mais crochê.
Ela passa a madrugada entre o crochê e as rondas. 

Todas as fotos são de Aline Araújo
FONTE:http://www.campograndenews.com.br/lado-b/comportamento-23-08-2011-08/na-madrugada-a-cena-curiosa-de-vigilante-que-faz-croche-em-cadeira-de-retalhos

27 de setembro de 2014

Vigilante é baleado em tentativa de assalto a carro-forte no Bom Fim, em Porto Alegre

Disparos ocorreram dentro do estacionamento do supermercado Zaffari, quando os caixas eletrônicos eram abastecidos com dinheiro

Uma tentativa de assalto a um carro-forte ontem terminou em tiroteio por volta das 8h45min desta sexta-feira no bairro Bom Fim, em Porto Alegre. Seis assaltantes armados com pelo menos dois fuzis e uma pistola 9 milímetrostentaram roubar malotes de um veículo da Prosegur, que abastecia caixas eletrônicos do supermercado Zaffari, na Rua Fernandes Vieira. Um vigilante da empresa, identificado como Jeferson Conrad, 28 anos, foi atingido no joelho e no pé. De acordo com o delegado Abílio Pereira, da 10ª DP, mais de 100 tiros foram disparados.

Os criminosos, que ainda não foram identificados, não conseguiram levar o dinheiro. Conforme o tenente Leandro Flores, do 9º BPM, os seguranças foram surpreendidos por três assaltantes, que aguardavam a chegada dos malotes no primeiro andar do supermercado. Na rua, outros bandidos esperavam os comparsas. Todos estavam com toucas.

– Foram extremamente violentos e atiraram para matar – relata o tenente.

A quadra da Rua Fernandes Vieira – entre a Vasco da Gama e a Henrique Dias – foi isolada pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) para perícia. Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Federal e Prosegur estavam no supermercado. Um dos veículos usados pela quadrilha, um Focus prata, foi abandonado na rua Tomaz Flores.

O automóvel foi roubado em Canoas no dia 22 de setembro. Uma marca de tiro, possivelmente de fuzil, ficou em um dos vidros traseiros. Um inspetor que investiga o caso disse que câmeras de vigilância da rua podem ter flagrado os bandidos deixando o Focus.

– Eles estiveram examinando o local para o assalto na véspera. Com certeza trata-se de uma quadrilha organizada que parte em um assalto desses para matar quem estiver pela frente. Graças ao bom trabalho dos vigilantes, não houve mortes e eles não conseguiram levar a quantia que desejavam – explicou o Delegado Abílio Pereira.

Um minuto e meio de caos

Um morador do bairro presenciou a troca de tiros entre os bandidos e seguranças e teve de entrar correndo no prédio para não ser atingido. André Bergmann, 32 anos, saía de casa para trabalhar quando deparou com a cena de guerra na Rua Fernandes Vieira.

— Foi um minuto e meio de caos, o trânsito era intenso e os carros tentavam fugir desesperadamente. Vi pelo menos um segurança ferido — conta ele.

O aposentado Carlos Brasil, 75 anos, estava chegando à lotérica do supermercado Zaffari quando começou o tiroteio:

— Vi tiro para tudo quanto é lado e me joguei num canto. Eles dispararam mesmo, foi uma gritaria de mulheres, latas caindo e vidros de lojas quebrando.

O vigilante ferido foi atendido no Hospital de Pronto Socorro e não corre risco de vida. A mulher dele, Fernanda Morais, 29 anos, falou a Zero Hora que Jeferson não lembra do ataque. Ele deve ser transferido ainda nesta sexta-feira para um hospital de São Leopoldo, cidade onde reside.

FONTE:http://zh.clicrbs.com.br/rs/noticias/noticia/2014/09/vigilante-e-baleado-em-tentativa-de-assalto-a-carro-forte-no-bom-fim-em-porto-alegre-4607460.html